Dalai Lama: o que temos em comum

Todos nós partilhamos uma existência marcada pelo sofrimento e a impermanência. Quando reconhecemos o quanto temos em comum, vemos que não há sentido em sermos beligerantes uns com os outros. Considere um grupo de prisioneiros prestes a ser executados. Durante sua permanência juntos na prisão, todos encontrarão seu fim. Não há sentido em brigar durante os dias que lhes restam. Como esses prisioneiros, todos nós estamos ligados pelo sofrimento e a impermanência. Nessas circunstâncias, não há absolutamente nenhuma razão para lutarmos uns contra os outros ou desperdiçarmos toda a nossa energia, tanto física quanto mental, para acumular dinheiro e bens.

Dalai Lama: Como Saber Quem Você É

Foto: Emiliano Bar

Dalai Lama: aceitar o sofrimento

No meu caso pessoal, a prática mais forte e mais eficaz para ajudar a tolerar o sofrimento consiste em ver e entender que o sofrimento é a natureza essencial do samsara, da existência não iluminada. Ora, quando passamos por alguma dor física ou qualquer outro problema, naturalmente naquele instante há uma sensação de queixa, porque o sofrimento é muito forte. Há um sentimento de rejeição associado ao sofrimento, como se não devêssemos estar passando por aquilo. Naquele instante, porém, se pudermos encarar a situação de outro ângulo e perceber que este corpo é a própria base do sofrimento isso reduz aquele sentimento de rejeição… Aquele sentimento de que de algum modo não merecemos sofrer, de que somo vítimas. Portanto, uma vez que compreendemos e aceitamos essa realidade, passaremos a vivenciar o sofrimento como algo que é perfeitamente natural.

Dalai Lama

Foto: Ken Cheung

Thich Nhat Hanh: Respiração consciente

A respiração consciente nos ajuda a parar de nos preocupar com as tristezas do passado e as ansiedades do futuro. Ajuda-nos a entrar em contato com a vida no momento presente. (..) Às vezes parece que há um gravador dentro de nossa cabeça – ligado dia e noite – e não conseguimos desligá-lo. Ficamos preocupados, tensos e temos pesadelos. Quando praticamos a atenção plena, começamos a ouvir realmente pela primeira vez a fita que está no gravador de nossa mente, e então percebemos quais os pensamentos úteis e quais os inúteis.

Thich Nhat Hanh: A Essência dos Ensinamentos de Buda

Foto: Wes Grant

Peter D. Santina: a ânsia pela satisfação

Buda ensinou que o apego ou desejo (Trishna ou Raga) é uma grande causa de sofrimento – ânsia por experiências prazerosas, coisas materiais, vida eterna e morte eterna. Todos gostamos de boa comida, boa música, companhia agradável. Gostamos dessas coisas e queremos mais. Tentamos prolongar essas experiências prazerosas. Tentamos conseguir mais desses prazeres. E, de alguma forma, nunca estamos completamente satisfeitos. Podemos descobrir que gostamos de um certo tipo de comida e ao comermos várias e várias vezes, ela acaba perdendo a graça. Tentamos outro tipo de comida. Nós gostamos, aproveitamos e de novo nos desinteressamos. Continuamos procurando por outra coisa. Cansamos da nossa música favorita, dos nossos amigos. Procuramos por mais e mais. Algumas vezes essa busca por experiências prazerosas leva para comportamentos extremamente negativos, como alcoolismo e vício em drogas. Tudo isso vem da ânsia por satisfazer nossos desejos por experiências prazerosas. Dizem que tentar satisfazer o desejo por experiências prazerosas é como tentar matar a sede bebendo água salgada.

Peter D. Santina: Fundamentals of Buddhism

Foto: Frank Mckenna

Peter D. Santina: impermanência e sofrimento

Na nossa ignorância da natureza real das coisas, desejamos e nos apegamos a objetos na esperança desesperada de que eles possam ser permanentes, de que eles possam garantir felicidade permanente. Sem entender que a juventude, a saúde e mesmo a vida são impermanentes, nos apegamos e nos amarramos a elas. Quando buscamos prolongar a nossa juventude e a nossa vida elas escapam entre nossos dedos como areia, já que são impermanentes por natureza. Quando isso acontece, a impermanência é uma ocasião para o sofrimento.

Peter D. Santina: Fundamentals of Buddhism

Foto: Hassan Ouajbir

Ajahn Sumedho: As coisas são como são

Não precisamos criar problemas – tanto sobre estarmos em uma estação suja de metrô ou sobre estarmos olhando para uma bela paisagem. As coisas são como são, então podemos reconhecê-las e apreciá-las na sua forma impermanente, sem anseios. Anseio significa querer manter algo de que gostamos; querer se livrar de algo de que não gostamos; ou querer conseguir algo que não temos.

Ajahn Sumedho — The Four Noble Truths

Foto: Adi Goldstein

Ajahn Sumedho: O laço do sofrimento

Se você quiser matar alguém, você tem que transformá-los; você não pode matar alguém percebendo que ele sofre como você. Você precisa pensar que eles são frios, imorais, sem valor e maus, e que é melhor se livrar deles. Você precisa pensar que eles são maldosos e que é melhor se livrar deles. Você tem que pensar que eles são maldosos e que é bom se livrar do mal. Com esta atitude, você pode achar justificado bombardear ou metralhar essas pessoas. Mas, se você tiver em mente o nosso laço comum de sofrimento, isso tornará você incapaz de fazer essas coisas.

Ajahn Sumedho – The Four Noble Truths

Foto: Boris Smokrovic

Brad Warner: O Zen é Entediante

Se você olhar atentamente para sua vida comum e tediosa, você descobrirá algo realmente maravilhoso. As nossas vidas genéricas e sem sentido são incrivelmente alegres — incrível, espantosa, incansável e impiedosamente alegres. E você não precisa fazer coisa alguma para experimentar essa alegria. As pessoas acham que precisam de grandes experiências, experiências interessantes. É verdade que experiências gigantescas e traumáticas às vezes trazem para as pessoas, por um momento fugidio, a uma forma de de estado iluminado. Por isso essas experiências são tão desejadas. Mas seu efeito passa e você está volta a buscar a próxima excitação. Você não precisa usar drogas, explodir edifícios, ganhar as 500 milhas de Indianápolis ou andar sobre a lua. Você não precisa voar de asa-delta sobre o Himalaia, não precisa transar com sua secretária ousada e atirada ou festejar a noite toda com pessoas bonitas. Você não precisa de visões em que se funde com a totalidade do Universo. Apenas seja o que você for, esteja onde você está. Limpe o banheiro. Passeie com o cachorro. Faça seu trabalho. Essa é a coisa mais mágica que existe.

Brad Warner — Zen is boring

Foto: Towfiqu Barbhuiya